Warning: include(includes/favoritos.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 19

Warning: include(includes/favoritos.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 19

Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/favoritos.inc' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 19

Warning: include(includes/winImagens.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 23

Warning: include(includes/winImagens.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 23

Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/winImagens.inc' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 23

Warning: include(includes/idPortugues.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 39

Warning: include(includes/idPortugues.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 39

Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/idPortugues.inc' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 39

Warning: include(includes/menuSup.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 48

Warning: include(includes/menuSup.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 48

Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/menuSup.inc' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 48


Warning: include(includes/menu.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 63

Warning: include(includes/menu.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 63

Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/menu.inc' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 63
Crônicas de viagens

Dedé na Fronteira Argentina/Bolívia


Eu já estava acostumado com as burocracias e extorsões da fronteira de Uruguaina (Brasil) e Paso de los Libres (Argentina). Na ocasião, escrevi uma crônica contando a aventura de cruzar esta fronteira com um ônibus da Pluma. Porém, nada se compara a esta nova experiência vivida na fronteira entre as cidades de La Quiaca (Argentina) e Villazón (Bolívia).

Em princípio aquele lugar era para mim um ponto de referência histórico. Já que ali completaria minha escalada por território argentino de um extremo a outro. Em 2006 havia estado na Patagônia, mais precisamente em Ushuaia, na província de Tierra del fuego, lugar chamado de "Fim do Mundo" - exatamente por ser a cidade mais austral do continente. Ali, uma placa de sinalização avisava:

USHUAIA - Buenos Aires a 3040 km e "La Quiaca" a 5171 km.

Claro que registrei este momento e prometi um dia chegar em La Quiaca e fazer o mesmo.

Três anos depois e muita estrada rodada em território Argentino, Dedé chegava a outra ponta. E outra placa dizia:

Bienvenidos a LA QUIACA - Ushuaia a 5121 km.

Tá, tá, tá...Tá, tá, tá...(entenda isto como a música da vitória da Fórmula I)

Missão cumprida... a Argentina estava (praticamente) descoberta de ponta a ponta. Mais ainda, era o ponto final da estrada mais "mística do País" a "ruta 40" (estrada nacional 40), que liga a Argentina de Sul a Norte, costeando a Cordilheira dos Andes. Dois aspectos também viriam junto com esta conquista.

Primeiro: "De Ushuaia hasta La Quiaca" - Frase célebre (é equivalente a dizer no Brasil "Do Oiapoque ao Chuí") pronunciada por conquistadores, aventureiros, fotógrafos e tantos outros descobridores deste país de paisagens incríveis. Já teria meu próprio legado por aqui.

Segundo: Conheço mais a Argentina que meu próprio país... jejeje, um fato no mínimo curioso, mas que pretendo deixar no passado em pouco tempo... Aguardem!!

Bem, esta foi a história mais alegre desta crônica, o que viria pela frente era uma triste história de desolação, covardia, medo, escravidão, falta de oportunidade... e pode colocar você mesmo tantos quantos adjetivos passar pela sua cabeça depois de escutar esta história... por favor, tirem os seus filhos da frente do computador e preparem-se para o que eu tenho para lhes contar...

Primeiramente nossa entrada na Bolívia foi bastante tumultuada. Na apólice do seguro do carro de meu amigo Hansi, dizia que a cobertura valia para a Argentina e todos os paises limítrofes (óbvio, isto inclui Bolívia). Porém, para o policial da fronteira era necessário que estivesse escrito... BO-LI-VI-A. Dai já se pode imaginar né...? Hansi (que mora na Patagônia) começou a se comunicar com a sua seguradora e tentar fazer com que eles pudessem convencer os policiais da validade do seguro... claro, isto levaria umas (poucas) 3 a 4 horas entre conversações e ligações para a Patagônia...

Aproveitei o momento para começar a registrar algumas fotos do local. Em pouco tempo eu também estaria metido em uma grande encrenca.

Estava tirando fotos ainda do lado argentino. Muitas cholas e cholos bolivianos (e também argentinos, já que na fronteira a cultura é a mesma) desfilavam com suas roupas típicas coloridas, um prato cheio para um fotógrafo. Ao lado da aduana (pegado), havia um caminho cercado por uma tela de arame em ambos os lados. Até aí, tudo bem. Só que de repente um estranho desfile de pessoas - que de longe pareciam formigas - começou a acontecer. Aquilo me chamou a atenção - e distante - comecei a fotografar. Já havia percebido que estava sendo observado por alguns policiais, mas não dei muita bola.

Foi quando um policial se aproximou e pediu meu passaporte. Lhe alcancei. Me disse que eu estava tirando muitas fotos e que precisava ter uma "conversinha" comigo em particular lá dentro da aduana. Gelei! Comecei a ficar nervoso e abraçei a minha câmara fotografica. Numa sala reservada e com outro policial mal encarado, começaram a fazer uma série de perguntas de uma forma um pouco, eu diria...intimidadora. Enquanto anotavam os dados do meu passaporte em um velho caderno o interrogatório seguia:

- De onde você é? Para onde vai? O que você esta fazendo aqui? Você é jornalista, para qual jornal você trabalha? Porque está tirando tantas fotos?

Fiquei muito nervoso e meu estômago começou a embrulhar. Olhei para aquelas caras de mau e pensei:

- Vou me cagar!!!

Aos poucos ia respondendo as perguntas...

- Sou brasilero, com residência na Argentina. Não sou jornalista, sou fotógrafo free-lancer e registro fotos de paisagens e pessoas dos locais onde visito.

Respondia nervoso e me segurando para não dar um vexame ali. Os brutamontes, vestidos com uniforme verde militar (confesso que me senti como um perseguido da época da ditadura), se olhavam entre si com uma aparência nada amistosa e sentia que não estavam levando fé em minhas respostas. Um deles batia com meu passaporte na mesa de uma forma seca e constante até que desapareceu levando o mesmo. Temendo uma forma de intimidação mais pesada (sei lá, a gente escuta tantas histórias por ai, que eu pensei que poderia ser levado para uma sala de tortura para confessar alguma coisa ou até mesmo pensei que eles poderiam confiscar a minha máquina), olhei para a cara do policial (enxergava nele um torturador cruel), fiquei num vermelhão só, me contorcia todo e não consegui me segurar:

"Putz, acho que me caguei"!!!

Para a minha surpresa e alegria tinho sido apenas (super) gases que aos poucos começaram a tomar conta de toda a sala. Já não conseguia mais olhar na cara do policial quando o outro voltou com meu passaporte. Novamente eles se olham com caras nada amistosas, só que desta vez eu poderia apostar que eles estavam pensando era outra coisa... "acho que este cara se cagou!!!!". O policial me devolve o passaporte e sai correndo da sala. O outro começa a me passar algumas recomendações (se notava que também estava muito apressado) e dizia:

- O senhor pode ir, estamos com todos seus dados registrados; porém, tenha cuidado ao tirar algumas fotos, pois poderá ter alguns problemas com o povo local.

Abraçado em minha máquina e com o passaporte nas mãos, saí apressado da sala, o policial também! Porque será?

Procurava meus amigos para contar esta terrível experiência, mas não os encontrava. Me sentei ali (no chão mesmo) e tentava me recompor do que havia passado.

Algum tempo depois, Coco e Hansi apareceram e disseram que haviam de ir até a cidade para resolver alguns assuntos (tiveram de ir até a polícia da cidade e gravar a placa do veículo no vidro do carro).

Algum tempo depois e já bem mais calmo do "rappa" sofrido pelos "gendarmes" (policiais da fronteira), resolvi dar mais uma volta pelo local.

Novamente um número imenso de pessoas caminhavam rapidamente em extensas filas indianas com grandes volumes nas costas que muitas vezes superavam o seu próprio peso.

Minha curiosidade superou o medo e aos poucos fui me aproximando deles. Junto a tela começei a registrar aquilo tudo, até um video consegui fazer. Queria ver onde a fila começava e andei uns 100 metros até chegar no... "CHIQUEIRO". É, amigos, é este mesmo o nome dado ao lugar onde as mercadorias são colocadas nas costas das "mulas" e ali começam o seu calvário.

Arrepiei!!! O chiqueiro (e aqui não me refiro ao estádio do inter), lembra um grande campo de concentração Nasi. Um amplo lugar onde diariamente caminhões descarregam toneladas de mercadorias (estima-se umas 300 toneladas diárias que passam a fronteira nas costas das mulas). Ali, seres humanos não valem nada. Presenciei camionetas passando pelo lugar cheias de mercadorias e gente, praticamente atropelando as pessoas que ali estavam. Era igual o que a gente faz quando tem de espantar um rebanho de vacas que estão no nosso caminho. Pouco a pouco me infiltrava naquele lugar e discretamente registrava as fotos. Porém, sentia que estava sendo observado e já era o momento de começar a regressar do inferno. Claro, enquanto regressava usava minha câmera como uma metralhadora, precisava registrar aquela cena surreal que estava presenciando.

As "mulas", "passadores" ou "bagageiros", são alguns dos tanto codinomes dado a uma gente que há muito tempo perderam a esperança. Reféns de uma realidade de desemprego e falta de incentivos, são literalmente escravos de um sitema que se aproveita da miséria humana para obter suas ganâncias a qualquer preço; e o que é pior, a olho nú, sob o consentimentos de todos.

Ninguém é poupado, mulheres grávidas, crianças, idosos, enfermos, todos trabaham como bichos apenas para garantir o pão de cada dia. Para que vocês tenham uma idéia, o preço pago as mulas para passar uma bolsa de farinha de 50 kg é o equivalente a R$ 0,35 (trinta e cinco centavos de real). É comum ver pessoas com duas e até mais bolsas andando apressados olhando para um horizonte que parece que não chega nunca. A meta é passar umas 50 bolsas de 50 kg cada por dia, tarefa nem sempre possível. Homens com quatro, cinco caixas de tomates caminhando encurvados, quase de quatro pés (e aqui não seria nenhum absurdo dizer que eram "quatro patas"). Caixas de refrigerantes, azeite, batatas, esforço sobre humano de uma cruel exploração de seres humanos para com seus semelhantes. A humanidade é desumana e tem nome e sobrenome: Nós mesmos. E ai de alguma mula que deixe cair uma carga e que se extravie. Está condenada a trabalhar o dia todo para pagar o prejuízo.

Como se não bastasse a exploração e o desprezo impostos por seus "patrões" (o nome mais apropriado seriam donos, já que estes não lhes pagam nenhum tipo de direitos e assistência médica), a "Via Crucis" das mulas não param por aí. Diariamente, também sofrem a humilhação e o preconceito aplicado pela força bruta dos gendarmes, que muitas vezes os agridem pelo simples fato de que uns estão se debatendo uns contra outros. Claro, com o peso e a quantidade de mercadoria sobre as costas, eles nem sempre enxergam o seu colega da frente e muitas vezes se chocam e saem da fila. É porrada por todos os lados.

"...é bom aprender, a vida é cruel!", cantam os Titãs na música "Homem primata". Tudo não passava de uma ingênua diversão, que ao ouvir os primeiros versos da música era impossível não se esbaldar cantando e dançando. "Desde os primordios até hoje em dia" eu diria que homem ainda faz muito pior do que o macaco fazia...

Hoje vendo com meus próprios olhos a maldade que somos capazes de fazer procuro não me espantar mais. Porém, é impossivel ficar passional diante de tanta crueldade. Pessoas inocentes tratadas como bichos que, com apenas 30 anos, aparentam facilmente 50. Rostos tristes e dolorosos, com seus pescoços inclinados a frente parecem olhar para o nada (e talvez seja isso que veem, nada). Criaturas que voltam para suas casas (quando possuem uma) completamente adormecidos por uma jornada de trabalho sobre humana. Seus corpos doloridos e curvados pelo excesso de carga diária pedem um descanso, um amparo. Com o pouco que ganham só lhes resta comprar folhas de coca e álcool (quando digo álcool, é álcool mesmo a 94% que tomam puro ou com coca-cola), que são os únicos remédios que lhes fazem esquecer a dura jornada de um trabalho escravo. E o que é pior, é que amanhã começa tudo outra vez.

Depois das longas horas de espera (creio que foram umas 4) finalmente estávamos liberados para passar para o lado boliviano... OBA!!! É, mas nem tudo seriam flores do lado de cá da fronteira.

Primeiramente uma fila para uma breve consulta para saber se apresentávamos alguns sintomas da "gripe A". Feito isso, uma nova fila para entrada no território boliviano. Hansi e Coco não tiveram nenhum problema, passaram de cara; porém, eu... ai meu Deus!!!

O policial do lado boliviano dizia que para a minha entrada no país era obrigatório apresentar uma carteira de vacinação de FEBRE AMARELA. Claro que não tinha nada disto comigo e o clima começou a ficar tenso. Lhes expliquei que tenho residência na Argentina e que já havia viajado para varios países da Europa e nunca foi necessário apresentar documento de vacinação.

- É mas aqui tem - dizia o policial já com uma cara de safado.

- É, mas eu não tenho - lhe respondi já sem muita paciência.

O gendarme estava acompanhado de mais dois colegas e atrás de mim uma extensa fila para a aduana. Fiquei ali, alguns segundos olhando para a cara do policial e ele olhando para a minha. Foi quando ele tomou a iniciativa e foi direto:

- Bem, então vamos fazer o seguinte, tu me dá uma ajuda e eu te libero!!

Fiquei perplexo!! Não esperava que ele fosse assim... tão direto.

- Eu tenho vinte pesos pode ser?

- Sim, pode - me disse.

Foi então que ali, na frente de todos abri minha carteira e lhe entreguei vinte pesos argentinos. Sem nenhum pudor ele agarrou o dinheiro e colocou no balcão na frente dos seus colegas. Por incrível que pareça quem ficou envergonhado fui eu. Dei uma olhadinha para trás e vi que as pessoas haviam visto o que estava acontecendo. Para finalizar, o meu amigo policial (claro, a estas alturas ele estava com um largo sorriso no rosto e me tratava muito bem) fechou aquele agradável diálogo com chave de ouro:

- Olha só, se algum colega meu te pedir alguma coisa mais adiante tu não precisa dar não, diga que já colaborou aqui comigo!!

Jejejeje, "Que País é Este?" pensei. Onde estou me metendo? Depois relaxei e me dei conta que em todo o lado é igual, infelizmente.

Ao fim, estávamos liberados para seguir rumo até o nosso destino daquele dia, a cidade de POTOSI. Não sabíamos quase nada sobre o trecho a ser percorrido. Apesar de estarmos viajando com GPS, não conseguimos carregar no aparelho nenhum mapa da Bolívia (não há mapa do país disponível para GPS). E tão pouco encontramos uma mapa (impresso) para comprar. Pronto. Começava ali, mais uma emocionante aventura em uma estrada de chão batido com muitas surpresas no caminho.

Porém, isto é assunto para o nosso próximo capítulo...

Abraços...Dedé.

Quanto vale a vida longe de quem nos faz viver?

[ Clique nas imagens para visualizá-las ampliadas ]
Crônica 1   Crônica 2
Crônica 3   Crônica 4
Crônica 5   Crônica 6
Crônica 7   Crônica 8
Crônica 9   Crônica 10
Crônica 11   Crônica 12
Crônica 13   Crônica 14
Crônica 15   Crônica 16
Crônica 17   Crônica 18
Crônica 19   Crônica 20
Crônica 21   Crônica 22
Crônica 23   Crônica 24



Warning: include(includes/menuInf.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 555

Warning: include(includes/menuInf.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 555

Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/menuInf.inc' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 555

Warning: include(includes/webmaster.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 564

Warning: include(includes/webmaster.inc) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 564

Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/webmaster.inc' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /home/dedevargas/public_html/cv_008.php on line 564