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Dedé no "tren a las nubes"
Intitulado de "O Trem mais assombroso do mundo", o nome
"tren a las nubes" não é uma metáfora. Literalmente, o trem chega até
as nuvens e se pode vê-las ali, sobre nossas cabeças, ao alcance das
mãos.
Segundo a companhia o "tren a las nubes" é o mais alto (chega
a maior altura) do mundo, sem o uso de cremallera (sistema de
engrenagens). No final do seu recorrido chegaríamos até o tão esperado
"Viaduto de la Polvorilla", a nada mais, nada menos, que a
impressionantes 4.220 metros acima do nível do mar. Não é
brincadeira, quer mais? Tem. A temperatura era de 4 (quatro)
graus negativos, um vento que cortava o rosto e uma sensação
térmica de rachar.
Realmente os números da viagem impressionam, começando pelo seu
preço que é bem salgadinho (120 dólares por pessoa). O total do
percurso é de 434 km (ida e volta) a uma velocidade de 35 km/h.
O trem - que sai apenas aos sábados, da cidade de Salta, na
Argentina - começa a subida lentamente, incursionando Cordilheira
dos Andes adentro. Quer mais números? Nas longas
16 horas da viagem o trem passa por 29 pontes,
21 túneis, 13 viadutos e 2 "Zigzags".
Em meio a paisagens espetaculares, aos poucos somos
surpreendidos com a presença das nuvens baixas (o que muitas vezes
prejudica a vista da paisagem). Para saciar o desejo de "pisar no céu"
são feitas duas paradas (achei muito pouco, poderia ser mais) ao
longo da viagem. A primeira no final do recorrido (o ponto "alto"
da viagem, em todos os sentidos) no viaduto da Polvorilla e a
outra na pitoresca cidade de "San Antonio de los Cobres". Esta
última, é uma cidade que vive quase que em sua grande maioria da
exploração de minas locais e de alguns artesanatos vendidos aos
turistas do trem às nuvens.
O Viaduto da Polvorilla, além de estar a 4.220 metros de altitude,
ainda é considerado um dos mais altos do mundo. Uma majestosa
obra de engenharia de 63 metros de altura e 224 metros de comprimento.
Neste lugar descemos do trem (nos arrepiamos - para não dizer
outra coisa - de tanto frio) e encaramos uma pequena caminhada.
Muitas pessoas típicas do lugar vendiam varios tipos de
souvenirs. Muitas eram mulheres e crianças, já que os homens
deveriam estar trabalhando nas minas. Grande parte dos artesanatos
oferecidos eram de baixa qualidade. Se vê que o local é
completamente esquecido. Não há incentivo algum, nem se quer
para que os nativos aprendam a fazer um artesanato de qualidade. A
grande maioria dos turistas compra mais por pena em ver aquela gente
ali, esquecida nas alturas, nas nuvens e no frio. Também é
comum ver a crianças oferecendo llamas, ovelhas e cabritos para
que os turistas levem uma foto como recordação, outro cenário desolador.
Foi em "San Antonio de Los Cobres" que começamos a ser
apresentados para o "mais típico" que iríamos encontrar mais
tarde na Bolívia: as "Cholas". Aqui um a parte - sem querer
desmerecer os homens - mas as "Cholas" traduzem muito mais da cultura
boliviana que os "Cholos". Para quem não sabe, "Cholas" são típicas
mulheres bolivianas de longas tranças (e extensões) nos seus (
bem cuidados) cabelos sempre divididos ao meio. Andam sempre com um
pano muito colorido nas costas, onde carregam seus filhos "y otras
cositas más". Mais tarde pretendo contar um pouco mais sobre elas.
Feitas as duas paradas era hora de retornarmos. O cansaço ia
tomando conta de todos. Os sintomas do MAM (Mal Agudo da
Montanha), também conhecido como soroche ou apunamiento,
começavam a aparecer. Nem a equipe de animação nem os inúmeros shows
dentro do trem durante o retorno conseguiam nos manter despertos.
A altitude te deixa muito mal e na hora de baixar, parece que as
coisas pioram - claro, os sintomas começam a aparecer a partir de
uma altura de 2.400 metros e 6 (seis) horas continuas na altitude.
Minha cabeça parecia que ia explodir, tive de tomar vários analgésicos.
Para tentar reduzir os sintomas do soroche apelei para
mascar algumas folhas de coca. Nada resolvia; fui além, tomei
um chá de coca. Apesar do gosto asqueroso da folha, a coca
realmente ajudou a aliviar aquele mal-estar.
Antes do anoitecer uma surpresa: havia nevado na
montanha e o cenário agora era outro. Imensos vales nevados
sob a intensa neblina causadas pelas nuvens baixas (ou melhor,
quem estava nas alturas eramos nós, as nuvens estavam no lugar delas).
Voltamos para a cidade de Salta perto das 23 horas da noite e
fomos direto procurar um lugar para jantar - se fôssemos para o hotel
não sairíamos mais!!
Nesta noite fomos jantar em um lugar histórico de Salta, a
casa de Guemes. Guemes foi o primeiro governador da província
de Salta e um caudilho na luta pela independência da Argentina
frente aos espanhóis. Durante a janta, fizemos amizade com um grupo
de saltenhos que ali estavam. Muita charla e troca e troca de
informações. Por último, o pessoal nos convidou para irmos a uma
disco local. Não!!! Estávamos quase mortos de cansados.
Dia intenso: trem, nuvens, soroche, frio, vento, neve,
4.220 metros de altitude, Guemes, ufffffffffff. Basta!!
Minha cama do hotel me chamava... URGENTEMENTE!!!!
Abraços e até a próximo capítulo... Dedé.
Aguardem, vem ai o livro: "A VIDA É UMA VIAGEM!"
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[ Clique nas imagens para visualizá-las ampliadas ]
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Frente do trem
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Dedé junto ao trem
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Trem
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Dedé no trem
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Viaduto Polvorilla
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Chegada no Viaduto Polvorilla
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Carro de segurança de nuvens baixas
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Paisagem do caminho
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Neve na hora de voltar
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La puna
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A mulher e a Llama
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Povo de la puna
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Simpatia
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Senhora que vendia artesanatos
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Um sorriso de matar
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Povo local
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Uma forte mirada
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Coco com gente local
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Crianças no viaduto
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Estenda a mão
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Descida no viaduto
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Casa de Guemes com os Saltenhos
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