Dedé na "Quebrada de Humahuaca!"
"...Fiesta de la quebrada humahuaqueña para bailar
Erke, charango y bombo carnabalito para bailar..."
O texto acima é o refrão de uma das mais populares músicas do
folclore argentino, está na ponta da língua de todos.
São mais de 10 mil anos de histórias e não é a toa que a
Quebrada de Humahuaca é considerada Patrimônio Natural e Cultural da
Humanidade pela UNESCO.
Muitos são os mistérios e lendas que envolvem esta região e o povo
andino, sejam pelos rituais da "Pachamama" (mão terra), pelo
carnaval ou outras tantas manifestações populares.
Com 155 km de extensão, a Quebrada nos brinda com paisagens únicas,
seja o "Cerro de los siete colores" em Purmamarca, ou o sitio
histórico "Pulcara de Tilcara" - onde se pode visitar as ruínas
de povos indíginas.
Cortada pelo "Trópico de Capricórnio", ao norte da Argentina,
mais precisamente na provincia de Jujuy, a Quebrada foi parada
obrigatória tanto na ida de nossa viagem quanto no retorno.
Apesar de suas raras belezas naturais e povos andidos com uma vasta
história e cultura, a quebrada foi o lugar onde experimentamos
uma linda história de vida e é isto que irei contar nesta crônica.
Na verdade é a história de três meninas que vivem no povoado de
Tilcara. São elas: Luna, Malta e Rebeca.
Em busca da foto perfeita, procurava um lugar em que pudesse
conseguir uma foto que representasse aquela região. Mas não queria
apenas paisagens, era necessário pessoas para ilustrar melhor a
cultura local. Foi então que avistamos uma pequena casa de barro, nos
pés da montanha. De um lado da casa uma senhora lavando roupas e do
outro lado as três meninas, também lavando, só que apenas meias e
calcinhas.
Aquela cena me chamou atenção. Já havíamos passado do lugar
quando pedi para retornarmos para eu conversar com aquelas pessoas.
Estava muito apreensivo, não sabia de que maneira sería recebido por
eles. Primeiramente, me aproximei da senhora e lhe perguntei se
poderia tirar algumas fotos de suas filhas. A senhora me disse que sim,
que não haveria problema. Me aproximei das meninas e, primeiramente,
tentei ganhar a sua confiança. De imediato quem me cativou
foram elas.
Meninas simples de roupas modestas e muito coloridas.
Sorriso contido e muito curiosidade atrás daqueles rostos. Não demorou
muito para relaxarmos e até experimentar algumas brincadeiras. As
meninas lavavam suas roupas íntimas em um pequeno balde e uma bacia.
Aquilo parecia (e era) uma diversão para quem não tem muitas opções de
lazer. No começo das fotos elas estavam travadas, duras, mas foi por
pouco tempo. No final elas estavam até tirando fotos com a minha
máquina.
Queriam nos mostrar o que tinham de melhor e trouxeram os seus
bichinhos de estimação para serem fotografados. Um gato e uma
galinha chamada Augustina. Durante as fotos, as meninas mostravam
com orgulho seus bichinhos. Imaginem, num lugar onde não há sequer
luz elétrica, ver crianças se divertindo de uma maneira tão
natural e sadia, não nos dá nenhuma saudade dos computadores e
play station de nossas crianças urbanas. Ficamos ali durante um
bom tempo. Conversamos com sua mãe que nos contou um pouco de suas
vidas. Disse também que as meninas frequentavam a escola pela
parte da manhã e a tarde brincavam em casa.
Depois de deixar alguns chocolates e demais guloseimas, nos
despedimos. Quando entravamos, no carro uma surpresa. As
meninas nos chamavam porque queriam agradecer nossa visita cantando
uma música:
- "Les damos las muchas gracias, les damos la bienvenida de
todo corazón!".
Ficamos tocados com a cena (registrada em vídeo). Trocamos beijos
e abraços e partimos emocionados.
Aquele momento ficou se repetindo na minha cabeça durante a
viagem. Estava muito feliz de haver conseguido belas fotos e ter
conhecido um pouco da vida daquelas pessoas. Pensava numa maneira de
poder retribuir todo aquele carinho.
Foi então que me veio a ideia de imprimir algumas fotos e na
nossa volta deixar com as meninas. Porém, ainda não sabíamos se iríamos
retornar pelo mesmo lugar.
Somente uma semana depois, na cidade de Sucre, na Bolívia é que
decidimos que voltaríamos pelo mesmo caminho. Não pensamos duas vezes,
escolhemos algumas fotos e imprimimos. Também compramos os
ortas-retratos e (enormes) ursinhos de pelúcia para presentear
cada uma delas. Coco se lembrava de que a mãe havia dito que ela
tinha outro filho menor. Então compramos um ursinho para ele também,
além de mais guloseimas e uns docinhos e salgadinhos comprados em
uma padaria.
Retornamos a Tilcara (lugar ondem vivem as meninas) uma
semana depois do primeiro encontro e tarde da noite. Na escuridão
estava muito difícil encontrar a casa. Passavam das 22 horas
e estávamos indecisos se deveríamos chegar na casa naquele horário ou
deixar para o outro dia pela manhã. Coco lembrou que a mãe havia dito
que elas estudavam no turno da manhã. Então seria agora ou nunca.
Como na casa não havia luz elétrica passamos lentamente e com os
faróis altos ligados para ver se reconhecíamos o lugar.
Estávamos apreensivos, pois não conhecíamos o pai das meninas e não
sabíamos como ele iria nos receber. Tocamos a buzina e justamente
quem nos recebe é o pai. Nos comprimentou meio assustado,
sem entender o que estava acontecendo. Nos apresentamos e
contamos que estivemos ali há uma semana atrás. De cara ele disse
que as meninas haviam contado da nossa visita. Perguntamos
se elas estavam dormindo... e... de repente elas saíram correndo de
dentro da casa.
Estavam todas de pijaminhas e concluimos que já estavam na
cama. Carinhosamente vieram direto nos abraçar e beijar. Lhes
entregamos os presentes e as meninas pareciam não caber em si de
tanta felicidade. Não sei se alguma vez elas haviam se visto em
fotografia. Nos abraçaram novamente e agradeceram o que estavam
recebendo. Perguntamos pelo outro filho menor que a mãe havia se
referido, daí uma surpresa: o filho menor tinha uns 15 anos e,
meio constrangidos, lhe entregamos o ursinho de pelucia...jajajaja,
que cena, acho que Coco se confundiu, mas tudo bem, valeu a intenção.
Mais uma vez as meninas pousaram orgulhosas com seus presentes para
as fotos. Desta vez consegui uma foto de toda a família.
Nos despedimos com um sentimento de dever cumprido. De ter
realizado a boa ação do dia. Aqueles rostos de alegria ficariam para
sempre em nossa memória. Nada poderia ser mais gratificante que
aquele momento.
Era hora de buscarmos uma pousada para dormir e um lugar para
jantar. Aquele episódio havia nos deixado bobos e aquelas meninas
seguiram sendo o assunto da noite.
Deixamos nossas coisas na pousada e saímos para jantar. Esta foi a
noite de provar carne de lhama e aquelas (saborosas) mini
batatas, tudo típico do lugar, ah! e também um delicioso vinho
branco.
Um brinde a Luna, Malta e Rebeca. Um brinde ao prazer e as
surpresas que uma viagem pode nos proporcionar.
Está esperando o que? Aventure-se você também, pois "A VIDA
É UMA VIAGEM!"
Abraços e uma boa semana... Dedé.
Como diz o pessoal da STB, "Você sempre volta diferente de uma
viagem!"
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[ Clique nas imagens para visualizá-las ampliadas ]
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A lua em Purmamarca
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Bar de Purmamamrca
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Cactos em Pulcara de Tilcara
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Casa das meninas
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Casas em Purmamarca
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Casas
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Cemitério
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Cerro de los siete colores
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Chola
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Dedé no Trópico de Capricórnio
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Meninas e sua família
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Igreja de Purmamarca
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Lhama com batatinhas
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Luna
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Malta
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Rebeca com Augustina
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Malta, Luna e Rebeca
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Meninas de um lado e a mãe do outro
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Papéis invertidos
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Maimar
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Povo local
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Pulcara de Tilcara
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Purmamarca
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Tilcara
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Restaurante
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