Dedé em "Cuidado com as 'Acéquias'"
Todos nós já tivemos o nosso dia de "Boludo", de "Pelotudo".
Quem disser que não, é lógico que está mentindo. Estas palavras
(do vocabulário castellano) estão na ponta da língua de todos os
argentinos e significam algo como "abobado", "imbecil", "trouxa",
"boca aberta", etc. E desta vez eu me encaixei direitinho em um
destes maravilhosos adjetivos.
As "acéquias" são canais a céu aberto existentes ao longo de
todas as ruas da cidade de Mendoza, com finalidade de irrigação de
árvores, solo e plantas em geral. Como já havia explicado anteriormente,
a cidade foi desenvolvida em uma região de clima desértico, onde a
chuva é um acontecimento raro. A água que abastece a cidade vem do
derretimento de gelo da montanha e é distribuída a população através
de grandes canais e das "acéquias".
Estava passeando pela cidade completamente distraído, pensando
na morte da bezerra. O dia não tinha sido muito bom pra mim e me
sentia muito triste, para não dizer "choroso". Fui atravessar a rua.
Olhei para um lado, olhei para outro e... me esqueci que haviam
"acéquias". Dei aquele passo a frente com a certeza de que não vinha
nenhum carro. Foi como dar um passo e pisar no nada. Afundei a
minha perna dentro da acéquia. Caí como um saco de batatas. Torci
meu pé, bati minhas pernas e estourei meu rosto contra o canal
(só para lembrar o canal é feito de cimento). Pronto. O saco de
batatas estava espatifado dentro da acéquia. Até hoje ainda não me
lembro como eu saí e nem quem me tirou de dentro da acéquia. Somente
me recordo de estar deitado ao lado da acéquia, cercado por um
montão de pessoas que diziam coisas do tipo:
- Nossa a coisa foi feia! Eu escutei o barulho do tombo lá do
outro lado da rua!!
- Eu acho que ele quebrou a perna porque ele caiu todo errado.
Outros ainda completavam:
- Não sei não mas acho que ele deve estar com uma hemorragia
interna nesta perna!!
Pronto. Eu não precisava escutar mais nada, só faltava
encomendarem o meu corpo. Eu ouvia tudo aquilo e não sabia se eu
estava chorando de dor (me doía muito a perna e a cara), de raiva
(por ter caído naquele lugar) ou pela tristeza que me acompanhava
naquele momento.
O número de pessoas começou a aumentar. Cobri meu rosto e segui
sem me mover um milímetro. Um senhor me perguntou se sabia o
telefone de algum familiar para que ele pudesse avisar. Lhe passei
o celular do Coco. O homem lhe chamou e contou que eu havia sofrido
um acidente. Disse onde eu estava e que já haviam chamado a
ambulância.
Prontamente Coco localizou seu primo que é medico. Javier estava
de plantão em um hospital numa cidade a uns 20 quilômetros dali e
foi para lá que me levaram.
Foi um longo passeio de ambulãncia pela cidade de Mendoza.
Graças a Deus não havia acontecido nada de mais grave. Javier me
examinou, fiz alguns raios X (da perna e do rosto) e estava tudo
bem. Após uma injeção na bunda e com uma receita de medicamentos na
mão eu estava pronto para voltar pra casa. Ah, havia apenas uma
recomendação: Pelo menos neste dia passar longe das acéquias.
Sim. Confesso que fui um "Pelotudo". Porém um pelotudo com muita
sorte, porque dentro de tudo o que poderia ter acontecido, aquele
episódio havia me saído muito barato.
E acredito que quando se está em uma cidade diferente é preciso
provar de tudo, até mesmo experimentar um passeio de ambulância e
conferir o atendimento de emergência local...(jaja). Naquela mesma
semana já havia ido ao enterro do pai de um amigo do Coco, estava
me faltando mesmo conhecer o hospital.
Então vocês já sabem, quando vierem visitar Mendoza: "CUIDADO
COM AS ACÉQUIAS!"
E claro que registrei alguns destes momentos para mostrar aqui
para vocês. Podem ver as fotos e rir a vontade, seus..."PELOTUDOS"!
Jajajajajaja.
Beijos... Dedé
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Com a cara quebrada dentro da ambulância
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Dedé na ambulância
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Dedé sendo atendido por Javier
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Detalhe de uma acéquia
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