Dedé em: "GIGANTE"
Na sexta-feira passada fui ver um filme uruguaio e saí
da sala, digamos, satisfeito com o que havia visto.
É, parece uma coisa óbvia, mas para mim não.
Não foram poucas as vezes em que fui ao cinema e sai da sala bufando:
"Prometo que nunca mais venho olhar uma porcaria destas.
E pensar que ainda paguei caro para ver isto!!"
É, apesar de tudo eu ainda não desisto e de vez em quando
dou umas incertas e me arrisco atrás de algo que me
surpreenda. Poderia dizer que tenho uma persistência GIGANTE.
Taí o nome do filme que fui ver: GIGANTE.
É incrível , mas como ficou complicado hoje em dia se fazer alguma
coisa simples, direta e bem feita.
Digo isto porque na falta de um bom roteiro e principalmente
conteúdo, muitas vezes o cinema se resume em uma bela fotografia,
atores da moda e principalmente em mirabolantes e inovadores efeitos
especiais. Que aqui fique uma coisa bem clara, eu adoro
belas fotografias em cinema e não sou contra nenhum tipo de
efeitos especiais. Ao contrario, eu acredito que todo o avanço
tecnológico é bem vindo, desde de que não se reduza somente a
tecnologia (quando o assunto é cinema, lógico) e esta venha para
somar e enriquecer todas estas maravilhas que a sétima arte nos
transmite.
Por outro lado temos aqueles filmes demasiados
minimalistas, que podem deixar você vendo apenas uma perede
branca por longos e entediantes minutos ou até mesmo aquela
figura desfocada que se repete o tempo todo.
Tá bom, acho que tô ficando careta. Pode ser...
"GIGANTE" começa por seu personagem própriamente dito.
O (ótimo) ator uruguaio é um homem de 1,90m mais ou
menos e que já passou a casa dos 3 dígitos quando o assunto é peso.
Poderíamos até fazer uma referencia a um dos tantos prêmios que o
filme arrrematou por ai, o URSO de prata no festival de
Berlim. Jara - como é chamado seu personagem - é um
guarda de segurança de um supermercado e nos finais de semana ainda
faz uns bicos como segurança de uma boite.
"GIGANTE" era a sua timidez. Um homem novo
(trinta e poucos anos) porém tosco em muitas coisas de sua forma de
ser. Fã de rock pesado, Jara não sabia como demonstrar
o novo sentimento que lhe afligía.
"GIGANTE" era a sua obsessão por Julia, uma das
faxineiras do supermecado onde ele trabalhava. Jara passou a
acompanhar todos os movimentos da menina pelo sitema de câmaras
internas do supermercado, comprometendo até mesmo o seu emprego a
custas de sua obsessão. Não sendo suficiente acompanhá-la pelos vídeos,
Jara passou a seguir a menina por todos os lugares que ela ia depois
de seu trabalho.
"GIGANTE" é a sensibilidade deste filme - que no
meu entender foi baratíssimo. Rodado quase que integralmente dentro
de um supermercado e com externas mostrando um pouco da cidade de
Montevideo, inclusive suas praias. Com cenas irretocáveis
e de uma simplicidade impresionante - nada é gratuito.
Outro detalhe é que em grande parte de cenas importantes do filme
não há dialogo. Talvez seja este o grande mérito de
GIGANTE. "Pequeñas sutilezas", que nos dizem muito sem a
necessidade de ser verborrágico.
"GIGANTE" foi a minha surpresa de ter ido ao shopping
para ver uma mostra e voltar de lá alegre por ter visto um bom filme.
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