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Dedé em: "Odette, uma comédia sobre a felicidade"
Ela era uma mulher que tinha tudo para ser infeliz, mas era feliz.
Ele era um homem que tinha tudo para ser feliz, mas era infeliz".
Esta é a sinópse de filme "Odette, una comédia sobre la felicidad".
Um filme francés de 2006, que só descobri ontem na minha video locadora.
Este é o título do filme em espanhol, não sei como saiu ai no Brasil.
O filme é leve, delicioso. Para ser saboreado como quem comesse pela
última vez a sua sobremesa favorita. Sensível, sem ser piegas e simples
sem ser simplório. Nem mais nem menos, dose certa direta na veia de quem
está precisando de uma boa lição sobre a felicidade. Ou será que estou
dizendo isto pelo momento que estou passando? Claro, pode ser sim,
mas vamos combinar uma coisa: por favor, deixe-me saborear este momento.
Tenho visto muitíssimos filmes, na sua grande maioria classificaria
de mediano para baixo. Poucos se salvam, nos tiram da rotina, ou nos
nos fazem pensar. Ai está o mérito da arte... "El arte es la noticia
del alma". Li esta frase outro dia na porta de entrada da casa de um
artista plástico que fui visitar. A alma tem sede e é por isto que
precisamos saciá-la com boas doses de surpresa. Claro, vai depender
do momento, local, companhia, etc. Eu vi com um amigo que dormiu nos
primeiros minutos – o que é normal para meu amigo. Então posso dizer
que vi sózinho e gostaria de ver-la novamente.
Odette tinha tudo para ser infeliz. Um trabalho com pouca grana e
mais uns bicos nas horas de folga. Criou praticamente sozinha seus
dois filhos; um cabeleireiro gay (o que se dá melhor com a mãe) e
uma filha depressiva, sem trabalho que trouxe o namorado casca grossa
para viver em sua casa.
Odette vive em seu pequeno mundo. Exatamente do tamanho em que
cabem os seus sonhos, nem mais nem menos. É ai que ela se encontra
sempre com a felicidade. E talvez seja esse o nosso grande equívoco.
Querer sempre mais e achar que "se eu tiver tal coisa eu serei feliz",
ou entao "ah, ainda não era bem isto que eu queria". Odette consegue
ser feliz com sua família maluca. Odette nao sabia quase nada de
cultura e arte, tinha apenas duas paixões: a cantora Josefhine
Barker e um escritor que - segundo ela – graças aos seus libros a sua
vida mudou. Ponto. Nada mais era necesario para Odette ser feliz.
Estamos cada vez mais doentes, obcecados por ir buscar um Deus lá
naquela montanha do Tibet ou nas águas do canal de Beagle,
lá no "fim do mundo". Procuramos "não achar". Buscamos longe demais
o que sempre esteve aquí, dentro de nós. Necessitamos mais silêncio,
menos shopping. Precisamos parar e apresenar-se a si mesmo: "E aí, sou
o Dedé, tudo certo?" – É preciso curar nossas feridas, dar margem
aos sonhos.
Agora... vamos combinar, quando queremos complicar somos mestres.
E quando não há o que complicar nos inventamos. Êta, cérebro este o
nosso, porque insistimos em marcar gol contra?
É preciso ser mais leve, dançar mais, brincar, ser lúdico, imaginar...
Diga não a esta nova informação, diga não a este novo produto.
Porque temos de ser todo o tempo racionais? Quem raciocina demais não
ama nem se deixa amar. Por isto seguimos vendo apenas um prato em
nossa mesa. Seguimos despertando sem ninguém ao lado. Quem vê o mundo
com o coração - pode até sofrer mais, sem dúvida que sim – mas dá mais
sentido a sua vida, tem muito mais chances de ser feliz, não importa
o tamanho do abismo nem a velocidade da queda. Amar é preciso e
"ninguém pode e ninguém deve viver sem amor".
Odette nunca esperava que a vida lhe fosse ser tão generosa, claro
já era feliz com o (pouco) que tinha, mal sabia ela que o que fazia
era dar aulas de felicidade e que sua recompensa viria logo ali.
Tudo bem, Odette é apenas mais um filme e você já deve ter escutado
falar deste tema mil vezes na sua vida. Nossa luta é enfrentar o
dia-a-dia, as coisas cotidianas, reais. Mas quantas Odettes temos em
nossa vida real que passam desapercebidas? A Odette dona de casa, a
Odette do mercado da esquina, a odette professora, as muitas odettes
que podem estar dentro de nossa casa e não as reconhecemos. A Odette
que eu deixei de conhecer porque não falo com estranhos e que poderia
hoje ser uma grande amiga.
A verdade é que estamos complicando nossa vida demais. Estamos
comprando demais, estamos nos vendendo demais. Estamos nos informando
demais. Estamos buscando paz onde não há paz... estamos estressados
consumindo comprimidos para evitar os efeitos colaterais de outros
comprimidos que tivemos de tomar para amenizar os efeitos de outros
e de outros... BASTA!
Cá para nós, vamos pegar esta nossa cabeçinha doentia e jogar mais
a nosso favor. Vamos sair do banco de reservas e marcar mais gols,
mesmo que seja aos 47 minutos do segundo tempo. Tá esperando o que?
O apito final do árbitro?
A propósito…ODEEEETEE!!! Lembra se eu tomei os meus comprimidos hoje?
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